O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, usou o Twitter para comentar a destruição da represa de Nova Kakhovka, na região de Kherson, no sul da Ucrânia.
Zelensky disse que a ação foi "premeditada" pelos russos, como forma de chantagear outros países e para usar as inundações como arma. Enquanto isso, o porta-voz do governo da Rússia, Dmitry Peskov, culpou as forças ucranianas pela destruição da represa.
O presidente ucraniano convocou o mundo a "parar o mal russo": "Todos os outros terroristas do mundo devem ver que o terror é punido pelo mundo".
O ataque destruiu a represa que fazia parte de uma hidrelétrica e causou uma grande inundação em povoados próximos ao rio Dnipro. Milhares de habitantes precisaram ser retirados de suas casas.
"A destruição premeditada da barragem por terroristas russos parece a mesma de todos os pontos de vista do mundo. Para a África, Europa, Estados Unidos, China, Austrália, Índia, os desastres causados pelo homem são maus."
A Ucrânia diz que a destruição da barragem aumentou o risco de uma "catástrofe nuclear" na central de Zaporizhzhia, que usa água da represa atingida para sua refrigeração. A Rússia e a Agência Internacional de Energia Nuclear (AIEA) descartam um perigo imediato.
Zelensky também acusou a Rússia de promover um "ecocídio brutal": "O mundo deve reagir. A Rússia está em guerra contra a vida, a natureza, a civilização. A Rússia deve abandonar a terra ucraniana e precisa ser responsabilizada por seu terror", disse.
Consequências ambientais
De acordo com as autoridades ucranianas 150 toneladas de óleo diesel vazaram no rio Dnipro e a destruição da barragem pode ter consequências significativas para a fauna e a flora da região: "Os danos ambientais são preocupantes. Ecossistemas inteiros estão enfrentando danos irreversíveis e de longo prazo causados pelas inundações", disse o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba.
A destruição também causou novas preocupações em relação à usina nuclear de Zaporizhzhia, localizada a 150 quilômetros rio acima, já que são as águas da barragem que fornecem refrigeração à usina. Mas a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) afirmou que monitora a situação e que não há "nenhum perigo nuclear imediato".